06 setembro 2017

Artigo do Professor Enos André: OS CEGOS DO CASTELO



O Facebook às vezes nos surpreende com suas “lembranças”.

Hoje ele me lembrou de uma opinião escrita há um ano atrás, no Blog Carlos Britto, na qual fiz observações importantes sobre as condições de trabalho e a valorização dos educadores de Afrânio.

Trago essa lembrança para novamente opinar, ressaltando que há um ano atrás dizíamos nas tabernas, becos e palanques, que Afrânio era regida por “mãos de aço”, pelo coronelismo (ou o que restou dele), e que portanto, jamais teríamos a plena valorização enquanto não mudássemos aquele estilo de governar. Mudamos, e aí?

É meus caros, a cíclica histórica permanece.

A opinião que exponho um ano após aquela é simples: Acho que a Prefeitura do Município de Afrânio tem o dever de explicar aos servidores da Educação os reais motivos da mudança abrupta no Calendário Escolar 2017, onde em pleno feriado da Independência eles deverão estar nas suas escolas, nas suas salas de aula, atuando para suprir as lacunas deixadas por quem não soube bem planejar.

Mais ainda, os motivos de mesmo não debatendo no início do ano letivo, agora terem que atuar em sábados, sendo essa imposição um ato não democrático. 

Vale a ressalva que aulas em feriados e nos sábados pode acontecer sim, mesmo com diversos pedagogos e educadores dizendo que tal aula não é proveitosa. Mas, antecipadamente é preciso que se organizem, que insiram no debate aqueles que serão mentores, no caso os professores e demais servidores. Em tempos pretéritos, no início do ano letivo os feriados e sábados eram debatidos e muitos deles eram suprimidos. Parece que essa prática democrática foi superada. Ou seja, amanhã abruptamente quem tinha planejado fazer algo na sua vida pessoal, terá que desfazer seus planos em detrimento àqueles que não se organizaram antes.

Falando em planejamento, percebe-se claramente meus caros, que estão brincando de fazer educação. Cadê o planejamento estratégico? Nele constava AULÃO DE REFORÇO PARA O SAEPE? Ou só agora (eureca!!!) tiveram essa “ideia de gênio”?

“Ahhhh”, dirão, mas trabalhando sábados letivos todos sairão de férias mais cedo. Certo. Mas qual o motivo de quererem sair de férias mais cedo? A folha da educação está “inchada” e precisa ser urgentemente diminuída? Existe uma calamidade não declarada? Existe algum fenômeno sobrenatural que porventura a cidade será atingida? São as questões que se coloca. 

Tem um livro de José Saramago chamado “Ensaio sobre a Cegueira” que exprime um pouco desses ocorridos. O autor trata metaforicamente do universo da cegueira, porém de uma cegueira de quem vê. Metaforicamente, digo, porque trazendo para a discussão, percebemos a volta do medo e da aflição de alguns professores que já demonstram isso de forma explícita no tocante a calarem-se e não lutarem por seus direitos. Ou lançar, na órbita do debate, as promessas feitas ano passado. No livro tem apenas um personagem que enxerga e ele tem que se fazer de cego para não ser vitimado pelos demais. Na vida real, da história que estou contando, é preciso que as promessas sejam lembradas, afinal, quem prometeu dar voz aos professores, as merendeiras, aos vigilantes, aos auxiliares dos serviços gerais, aos motoristas e aos demais servidores, não pode simplesmente agora empurrar goela abaixo ações não planejadas ou inventadas de última hora.

No texto escrito no Blog Carlos Britto há um ano, e que iniciei aqui falando, uma vereadora foi aquele órgão da impressa para denunciar a desvalorização dos professores. Qual será a opinião da nobre vereadora agora? Será que ela, que agora é parte da “situação” e não mais “oposição”, mantém o que escreveu ou seu silêncio é transferência de responsabilidade?

E os demais vereadores, qual a posição de cada um, afinal, a eleição é apenas o início dos trabalhos e não seu fim. Seria importante que todos se manifestassem em prol de uma categoria que precisa ser valorizada. Não teremos uma educação de qualidade enquanto estivermos brincando de fazer educação.

Por fim, aponto apenas que a cíclica histórica de não valorização permanece e isso é grave. Isso leva ao pessimismo e a falta de perspectiva e vontade de lutar em prol de uma educação igualitária, cidadã e justa, para todos os afranienses.

José Saramago escreveu (na página 310, salvo o engano), sobre a cegueira dizendo assim: “Por que foi que cegamos? Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão. Queres que te diga o que penso? Diz. Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem. Cegos que, vendo, não veem”.


Enos André de Farias
06.Set.2017

Enos André de Farias

Mestrando em Educação, Cultura e Territórios Semiáridos/UNEB
Bacharelando em Direito/FACAPE
Especializado em Gestão Pública Municipal/UNIVASF
Especializado em Metodologia do Ensino de História/IBPEX/FACINTER
Licenciado em História/UPE

Fonte: Blog do GSilva

Blog Bruno Brito
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Um comentário:

  1. Pega esse currículo aí! Professora Socorro, a verdade é que a senhora não está dando conta do recado, tem muita coisa deixando a desejae, a população afraniense esperava mais da senhora.Falavamos tanto de maus tratos e a senhora não está sendo diferente... resumindo... A senhora está detonando o mandato de Dr. Rafael, que lutou tanto por essa Vitória, e digo mais, se certos funcionários tipo a senhora continuar, infelizmente! lutamos em vão! serão apenas esses quatro anos. ABRE O OLHO DR. RAFAEL!SEUS FUNCIONÁRIOS ESTÃO PIORES DO QUE OS DA GESTÃO ANTERIOR E PROFESSORA SOCORRO TÁ NO TOPO!

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